Aqui vai um texto do meu amigo Marcos. Visite o Inferno Privado e veja outros textos interessantes!.
A Náusea
Acordou perplexo. Náusea. As coisas haviam mudado, ou ele mudara ante as coisas? Sentiu medo. Tentou pensar banalidades. Abriu um livro, sem interesse, não conseguia se concentrar nas idéias do texto. Meio trêmulo tocava as coisas, mas lhe parecia então que não tocava, era tocado por elas, violado. Uma sensação dolorosa como a da abstinência ia se apoderando mais e mais dele, da sua compreensão secular das coisas, do seu tato sobre a matéria. Dias assim. Mais náusea, uma sensação de culpa que já entornava um tonel com o mais legitimo arrependimento seu, sem nenhum sentido para ele mesmo: a maior inocência maculada que contia em si, atrás dos olhos. Então teve um pensamento: Deus havia lhe abandonado. Ou ele havia abandonado Deus. Ou ele havia afastado Deus. Ponderou por mais alguns dias essas possibilidades, avaliando seus atos, avaliando o mundo, fazendo terapia. Pânico tomou-lhe conta quando, de presságio, lhe veio à mente uma idéia ainda mais pavorosa e aniquiladora que antes. Bambeou-se-lhe as pernas de um contágio febril de desamparo: pensou na possibilidade de ele haver criado Deus como idéia, e que essa idéia havia morrido e lhe deixado nessa condição, nessa existência, nessa náusea. Acreditou nessa possibilidade e chorou muito, desesperadamente.
Acordou perplexo. Náusea. As coisas haviam mudado, ou ele mudara ante as coisas? Sentiu medo. Tentou pensar banalidades. Abriu um livro, sem interesse, não conseguia se concentrar nas idéias do texto. Meio trêmulo tocava as coisas, mas lhe parecia então que não tocava, era tocado por elas, violado. Uma sensação dolorosa como a da abstinência ia se apoderando mais e mais dele, da sua compreensão secular das coisas, do seu tato sobre a matéria. Dias assim. Mais náusea, uma sensação de culpa que já entornava um tonel com o mais legitimo arrependimento seu, sem nenhum sentido para ele mesmo: a maior inocência maculada que contia em si, atrás dos olhos. Então teve um pensamento: Deus havia lhe abandonado. Ou ele havia abandonado Deus. Ou ele havia afastado Deus. Ponderou por mais alguns dias essas possibilidades, avaliando seus atos, avaliando o mundo, fazendo terapia. Pânico tomou-lhe conta quando, de presságio, lhe veio à mente uma idéia ainda mais pavorosa e aniquiladora que antes. Bambeou-se-lhe as pernas de um contágio febril de desamparo: pensou na possibilidade de ele haver criado Deus como idéia, e que essa idéia havia morrido e lhe deixado nessa condição, nessa existência, nessa náusea. Acreditou nessa possibilidade e chorou muito, desesperadamente.
Delirado por Quick em:
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
"Fala que eu te escuto!":
Semeando a loucura:


