Lembranças....



Ontem à noite (14/02/08) fui ao Tomate Seco Café Teatro. Passaram-se 12 meses desde minha última visita e ele estava relativamente o mesmo. Alguns rostos conhecidos continuavam atendendo e alguns desconhecidos preenchiam lugares deixados. Iluminação, calor, posição das mesas, basicamente tudo igual.
No instante que me sentei, ouvi algo que me inundou de lembranças tão nítidas e perfeitas que poderiam facilmente tomar o lugar da realidade. “Tombstone Shadow” se ouvia espremido entre o borbulhar de vozes, copos, risos e som do andar apressado dos atendentes. Lá estava eu. Fora do lugar. O meu lugar? O palco.
A primeira lembrança logo que, entrei a lembrança mais nítida, a mais perfeita dentre todas que eu poderia ter foi justamente uma das mais antigas e que por um infortúnio, foi uma das que mais marcaram. Ela, naquela noite, foi me ver tocar, tendo atravessado duas cidades pra isso. A última vez que ficamos, e também última vez que há vi. Antes de deixá-la partir, me lembro claramente de ter cantado: “ Ana, teus lábios são labirintos, que atraem meus instintos mais sacanas”, e ela me dizendo que não gostava daquela música. Erro meu, deveria ter cantado sua música preferida! Errei também não tendo lhe procurado. Sou ótimo em errar. Mas ontem, por alguns segundos, por pouquíssimos segundos quando entrei, senti falta não só dela, mas do que eu era. De como eu era.
Bolívia, a imagem de você batendo acidentalmente na luminária que ficava acima do palco também passou pela minha cabeça e quando cantaram “Don't Let Me Down”, não havia uma dedicatória a Sabrina. Blau, você não estava mais sentado na janela ou em cima do teu cubo. Zé, sua cara feia, tão expressiva demonstrando meus erros não foi vista; e Lek, você não estava olhado pro teto. Nossos amigos não ocupavam mais a longa mesa, e minha perspectiva de visão não era a mesma. Dessa vez, eu sou a platéia! Não sabia que fariam tanta falta.
Lembranças... Como podem ser um paradoxo? Elas são antigas, mas quando vem à tona, parecem ter acontecido há minutos atrás. Algumas boas, outras não tanto. Mas certamente é parte do que nos torna o que realmente somos. Algumas podem ser esquecidas, trancadas em um lugar escuro do qual não vamos constantemente; outras aparentemente trazemos com carinho em um local bem acessível!
O fato é: a lembrança sempre existirá. O que você faz com ela é o que realmente importa. Ontem, por exemplo, deixei todas de lado e aproveitei ao máximo a noite agradável que tive. Procurei criar novas lembranças.... e não é que funcionou !!!

3 "FALA QUE EU TE ESCUTO!" (SAP):

Anônimo disse...

Adorei o texto e realmente, o mais dificil e o mais importante é saber o que fazer com as lembranças... o decisão dificil! rsrsrsrs
Um beijo e ótima semana.

Shi

Netherland Princess disse...

Ainda há sentimentos nesse "coração gelado"??
Pensei que não tinha mais nada ai...

Pam Nóbrega disse...

faço minhas as palavras acima...

:)