Real?

Sofro de um grande mal e que provavelmente seja terminal. Minha mente. É incrível como consigo entrar em outra dimensão, seja ela imaginária ou apenas revivendo momentos na minha memória. Espero não ser o único a ter esse problema.
O fato é que essas imagens são tão reais que chego a sentir a dor ou a alegria do momento em que me vejo preso, perdido no mundo de sonhos e fantasias. Sabemos que um individuo normal possui dois planos de visão: a visão real, onde ele vê e sente a realidade; e a visão mental, onde tem-se a imaginação e as lembranças, podemos certamente dizer que a loucura é algo onde o individuo se torna incapaz de distinguir entre estas visões; impossível então é distinguir a realidade da imaginação.
Analisando bem essas informações, entendo o porquê da loucura. Salvador Dali disse que "a diferença entre falsas memórias e as verdadeiras é a mesma entre as jóias: são sempre as falsas que parecem mais reais, mais brilhantes". Assim a probabilidade de nos tornar-mos loucos é muito grande, se nossa percepção começar a perder o foco.
Em visita hoje à minha ex-faculdade, me vi perdido no sacrário intemporal do meu pensamento. Me desliguei do tempo; me perdi no vazio; “entrei na Matrix”. As lembranças foram tão fortes que não pude distinguir o que era real. Como isso é possível? Como tanta coisa veio a minha mente? Algumas alegres, outras tristes e algumas que ainda não defini por preferir esquece-las.
Estava novamente no primeiro ano - o melhor de todos - onde era totalmente alienado. Vi amigos, situações, brincadeiras e conversas...brigas com a classe e uma maravilhosa vitória em uma partida de sinuca enquanto observava o pôr-do-sol, esperando o sinal para fazer a ultima prova dos sete exames que fiquei.
Vi meu ultimo ano, e revivi a dor da saudade e da perda não de meus amigos, mas dos momentos diários que passava com eles. Na volta pra casa, pensei em escrever isso, e tentei abster minha mente da conversa no carro e deixa - lá solta, vagando e ver até onde ela iria.
Estava novamente perdido em meio à lindos cachos dourados de cabelo e intermináveis beijos na portaria do prédio; toquei bateria na IPI; cantei; tomei banho de chuva; ouvi um “eu te adoro” sincero; sai do porta mala de um carro em uma estrada deserta; toquei no HTC de Cambé; estive em tantas situações. Todas como se fossem reais.
Vejo que a cada dia, me perco neste mundo de imaginação. Não sei até que ponto isso é ruim, mas gosto deles, gosto de estar ali. Imaginar que tantas escolhas poderiam ser diferentes; palavras não ditas e outras que deveriam ser bradadas e nao foram; oportunidades desperdiçadas; coisas que jamais serão revividas.
Isso é loucura? Se perder da realidade? Mas o que é real? Qual seu conceito de real? Tantas coisas reais se desfalecem; se perdem...nada é eterno. Por que não abraçar a imaginação? Agora eu pergunto: “Você já teve um sonho, que parecia ser verdadeiro? E se você não conseguisse acordar desse sonho? Como você saberia a diferença entre o mundo dos sonhos...e o mundo real?”(Matrix, 1999)...... Não sei mais onde quero estar.
O doido passeia pela cidade sua loucura mansa. É reconhecido seu direito à loucura. Sua profissão. Entra e come onde quer. Há níqueis reservados para ele em toda casa. Torna-se o doido municipal, respeitável como o Juiz, o coletor, os negociantes, o vigário. O doido é sagrado. Mas se endoida de jogar pedra, vai preso no cubículo mais tétrico e lodoso da cadeia.
(Carlos Drummond de Andrade)

2 "FALA QUE EU TE ESCUTO!" (SAP):

Catherine disse...

Quick....seu texto está brilhante like my "shinnig metal ass"!!! kkk
E sim partilhamos da mesma loucura amigo!
Saudades de tu!

Catherine disse...

*shining!