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"Sabe, eu estou pouco ligando se você me levar de volta pro asilo... Gordon enlouqueceu mesmo... Minha teoria está provada. Demonstrei que não há diferença entre mim e outro qualquer! Só é preciso um dia ruim pra reduzir o mais são dos homens a um lunático. Essa é à distância entre eu e o mundo... Apenas um dia ruim. Você teve um dia ruim uma vez, não é? Eu sei como é. A gente tem um dia ruim e tudo muda. Senão, por que você se vestiria como um rato voador?" ( Joker, "Batman : A Piada Mortal", 1988).

Nada melhor que iniciar um blog chamado “ A Beira da Loucura”, com um texto sobre a loucura que contemplamos no nosso dia-a-dia. O texto acima é um fragmento do roteiro escrito por Alan Moore na primeira edição da história “ Batman: a Piada Mortal” de 1988. Por ser um texto antigo, considero que se acaso o autor resolvesse atualizar a mensagem, certamente ele diria que seria necessário “ apenas alguns minutos ruins” para reduzir um homem são a um lunático.

Não se pode negar que na ultima década a rotina estressante causada pela busca desenfreada a um padrão de vida mostrado como perfeitos pela TV e pelos comerciais, estão levando o homem comum ao extremo. O consumismo parece ser uma nova religião, a nova esperança de reconhecimento do homem pela sociedade.

Ter significa ser, ser parece significar poder e esse poder se torna dissolúvel quando o individuo é posto a prova quanto a quem ele realmente é, e não quanto o que possui. São poucas as pessoas que conheço que ainda andam alheias a essa tendência religiosa. Mas o fato é que, mesmo não sendo um adepto destes dogmas, acabamos sendo influenciados por eles.

Me lembro de ter lido uma estatística publicada em um artigo sobre trabalho e stress, escrita pelo pessoal do “Freakonomics”, dizendo que mais da metade da população mundial ativa economicamente, passa no mínimo um quarto de um dia de trabalho realizando atividades apressadamente, com prazos rígidos e curtos. Sendo assim, quem nunca disse: “ hoje estou estressado”, que atire o primeiro livro de auto-ajuda que estiver lendo!. Sim, auto-ajuda. Uma espécie de conselheiro para evitar os males do cotidiano. Uma amiga os comparou com “Psicólogos de bolso”;eu prefiro dizer que auto-ajuda só ajuda mesmo o autor a ganhar dinheiro!

Toda essa correria, essa busca, esse estilo desgastante, nos deixa a ponto de explodir, digo isso porque em uma consulta ao psiquiatra, ele me relatou um caso em que o paciente “surtou” devido a morte de um dos seus cachorros. Ridículo, mas isso foi o “minuto ruim” que fez explodir o que a tempo estava se acumulando. Estou certo que mais cedo ou mais tarde, em algum momento do dia, podemos acabar assim. Isso me lembra aquele filme “ Um dia de furia” (Falling Down, 1993), onde o personagem, no meio de um congestionamento, chega ao seu limite e decide resolver os problemas armado!

Mas, se você está pensando que tudo isso não passa mesmo de um devaneio desse escritor, provavelmente você esteja certo. Foi pra isso que criei esse blog, para apenas relatar idéias, e me distrair escrevendo. Talvez esteja mesmo certo, afinal deve ter sido recente a ultima vez deixou de assistir TV para ler um bom livro, sem pensar em como seria muito mais agradável sua vida se você tivesse comprado aquela TV de 42” de plasma em promoção.